Na semana do carnaval, nós enviamos um tweet aos fãs de Capital Inicial, perguntando se eles tinham alguma tatuagem relacionada a banda.
A fã Marcia Iny enviou sua foto, de uma tatuagem onde o desenho foi tirado de uma camisa do Dinho, e personalizou o desenho com o símbolo do Capital Inicial.
E também temos outras tatuagens enviadas pela Nação Capitaliana:
A espera acabou!!!
Eu sei que tem muita gente ansiosa para ver a última parte do nosso Webdoc Das Kapital, e já adianto que está lindo, cara!
Nessa terceira parte, o foco é a nossa relação com os fãs, o futuro da música na era da distribuição pela internet e como foi para gente essa reinvenção do nosso trabalho.
Obrigado a todos vocês pelo carinho e incentivo ao nosso primeiro webdocumentário, espero que tenham gostado e que venham ainda muitos pela frente. O Rock’n’Roll brazuca não pode parar!!
Então chega de enrolação e vamos ao que interessa: com vocês, Das Kapital, parte 3!
Alternativamente, caso não consiga visualizar o vídeo, clique aqui.
Eu sou ansioso por natureza. Às vezes, suspeito que viver ou trabalhar comigo não é fácil – aliás, tenho certeza. Também desconfio que fico perto do insuportável quando vou lançar um disco. De fora pode parecer simples, mas é um trabalho que exige muita concentração, inspiração, cuidado e, principalmente (tenho que reconhecer) sorte.
Duas coisas ajudam a aliviar o peso da responsabilidade que eu sinto: primeiro, o prazer de poder viver de música; segundo, saber que existe uma legião de fãs que nos apoiam, nos seguem pelo país, votam na nossa banda em premiações, e pedem nossas músicas nas rádios. Resumindo, contamos com um monte de gente para quem nossas canções fazem sentido.
Eu sinto uma imensa gratidão, e tento retribuir fazendo dos shows eventos, a meu ver, intensos. Tudo o que envolve minha profissão eu quero fazer com entusiasmo, e quero que os fãs sintam esse entusiasmo também. Mesmo assim, eu fico apavorado quando vou lançar um disco. E tem mais, não sei o que me deixa mais nervoso, lançar um disco ou começar uma turnê.
Cada um me preocupa por motivos diferentes. Com o disco vêm as críticas, tanto dos fãs quanto dos jornais, embora a opinião dos fãs seja muito mais importante do que qualquer comentário impresso. Depois, as músicas precisam de vídeos. Será que as músicas vão tocar nas rádios? Será que o vídeo vai bem no YouTube? Enfim, se o processo de preparação e gravação é tenso, o lançamento dá um nervosismo pela dúvida de como o disco será recebido.
Já o show, são outras preocupações. Simplificadamente, uma apresentação precisa que se escolha o repertório e se monte um cenário. Pode parecer fácil, mas eu quero sempre tentar fazer algo que surpreenda os fãs. Fazer algo que os impressione, que os faça sair do show de queixo caído. Mas não é só isso. O troço tem que ser transportável porque queremos que todos no país possam ver o mesmo show. Não importa se é em São Paulo ou numa cidade minúscula no interior, achamos que temos que levar o mesmo padrão de qualidade onde quer que nos apresentemos. E, no caso desse novo show, é particularmente complicado porque o cenário é feito de luz. São telões de várias resoluções, todos projetando a mesma imagem e ligados em computadores diferentes. Dá pra perceber que é fácil algo dar errado.
E, finalmente, depois dessa imensa introdução, finalmente chego onde eu queria: os primeiros shows. Começamos fazendo uma pré-estreia em Bento Gonçalves, e logo na sequência fomos pra SP, Rio e Brasília. Nunca tínhamos feito isso antes. Nas turnês anteriores, começávamos pelo interior e deixávamos as capitais por último. As três capitais foram maravilhosas. Quando começou o show, eu achei que ia pagar o maior mico e chorar na frente de todos. Mas me contive (não sei bem como) e fui adiante. A sensação de ver aquela gente toda cantando, rindo, mexendo os braços, pulando, gritando, segurando cartazes e jogando coisas no palco, pra mim, é um sonho de adolescência se tornando realidade. Mas nem sempre foi assim, quando eu comecei a tocar, eu me sentia muito intimidado, e não tinha coragem de olhar nos olhos das pessoas. Hoje, olho nos olhos de todos porque percebi que ali estão justamente as pessoas em que mais posso confiar: nossos fãs.
E foi assim que me dei conta de que as coisas estavam indo bem… estava escrito nos olhos do público. É gozado como rola um círculo, nós nos entusiasmamos, as pessoas se entusiasmam, o que por sua vez nos entusiasma mais, e por aí vai, num crescendo cada vez mais intenso. E eu tive a sensação de que as coisas vão indo bem quando nos olhos das pessoas eu vi surpresa. O público parecia não saber se olhava pra nós, se ouvia as canções ou se via os telões. Um assalto aos sentidos. Perfeito. Era exatamente o que eu queria.
Eu sempre amei shows, sempre amei tudo que envolve shows, tudo que eu descrevi acima. E agora, eu ter o privilégio de ser uma das pessoas ali em cima, uma das pessoas que bolou aquilo, parece surreal. Quando tudo passa voando, quando você se diverte do começo ao fim, quando acaba e vc quer mais, é porque tá tudo no lugar.
E é por isso que eu estou escrevendo, para agradecer. Eu adorei os primeiros shows. As pessoas que falaram comigo disseram que gostaram também. E, com o lançamento feito, sinto uma sensação imensa de alívio e alegria. Nossos fãs são os melhores fãs do Brasil! Eu sou uma das pessoas mais sortudas do país, por ter gente assim do meu lado. E eu espero poder repetir apresentações assim pelo país inteiro.
Para os que ainda não viram, estamos chegando, se preparem. Para os que já viram, vocês são demais.
Obrigado!!
Dinho fala sobre fim da turnê Multishow, novidades sobre Das Kapital e agradecimento especial aos fãs:
Olá amigos,
Me desculpem por sumir por tanto tempo, mas eu passei por momentos muito difíceis. Provavelmente os mais difíceis da minha vida. Até ontem, eu não conseguia ler ou escrever. As cartas anteriores foram ditadas. Nada poderia ter me preparado para algo assim.
Numa fração de segundo, o acidente, depois semanas de recuperação lenta e dolorosa. Em um momento você se acha dono do mundo, capaz de fazer o que lhe vier a cabeça. No momento seguinte, você não sai da cama sozinho. Eu tive que me adaptar a uma nova condição. Eu acredito, e os médicos também, que voltarei a ser quem eu era. Porém, passar por algo assim, sem alguma transformação é impossível. Meu corpo vai voltar a ser como era, mas acho que vou ficar com “marcas” emocionais pra sempre.
Não quero parecer com alguém que tenha pena de si, muito pelo contrário, estou cercado de pessoas muito mais machucadas do que eu. No entanto, durantes minhas semanas de internação fui tratado com respeito, compaixão e bondade. Essas palavras sempre me comoveram, mas agora eu sinto muita vontade de poder passar isso adiante. Não acho que eu fosse arrogante ou indiferente, mas tenho pensado muito no meu comportamento.
Dentro de um hospital, depois de alguns dias, você experimenta momentos que se aproximam do pânico. Sente-se muito medo e solidão. Há tempo de sobra pra introspecção. Se tudo der certo, vou pra casa na semana que vem. Estou muito curioso pra ver se quando voltar pra casa, me sentirei diferente de quando entrei.
Ao longo da minha hospitalização recebi mensagens, telegramas, telefonemas e flores do Brasil todo. Da minha família, amigos, colegas, fãs e também de muito desconhecidos. Todos profundamente comoventes. Fico pensando em como agradecer ou retribuir, mas não há como. Mesmo assim, gostaria que essas pessoas soubessem que seus gestos e palavras foram determinantes na minha recuperação.
Obrigado.
Um outro bom momento foi a atitude do Capital, a banda na qual eu toco a tantos anos. A solidariedade deles me surpreendeu pela falta de limite. O carinho com o qual me trataram foi algo que nunca esquecerei.
Acho essa postura, de estarem tão presentes, me encheu de confiança neles. Tanta confiança, que fizemos algo inédito na nossa carreira, eles começaram o disco novo sem mim.
Tínhamos ensaiado muito, estava tudo no lugar e meu acidente foi poucos dias antes da data marcada para o início das gravações. Me foi perguntado se eu queria adiar tudo, mas achei melhor deixar nas mãos da banda. Eu acompanhei de longe, via skype. Estamos trabalhando com um novo produtor, um cara chamado David Corcos, que merece cada gota da confiança que demos a ele. Acho que os fãs do Capital vão gostar muito desse disco.
Nós estamos adorando e faz muito tempo que não tomamos tanto cuidado com tudo. Da primeira à última palavra, dos timbres, a cada nota dos solos. Estamos trabalhando nesse projeto hà mais de um ano, e mesmo um acidente como o meu não deveria fazê-lo parar. The show must go on. Essa convicção foi outro remédio, mais forte do qualquer coisa que tenham me dado.
Pequena curiosidade para os superticiosos: caí do palco no dia das bruxas e peguei a grave infecção que prolongou miha internação na sexta-feira treze. Que medo, ahahaha.
Obrigado por tudo,
Dinho.