Dinho Ouro Preto
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Blog do Capital Inicial

Prêmio Quem – Resultados

07 dezembro 2011

No início do mês divulgamos que havíamos sido selecionados para o Prêmio Quem 2011 como Melhor Banda e Dinho como Melhor Cantor. Pois bem, ontem a revista preparou uma festa no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro para apresentar os vencedores de todas as categorias.

O evento premiou personalidades que foram destaques em sete diferentes áreas – cinema, televisão, teatro, música, gastronomia, literatura e moda & beleza. Os indicados às categorias foram eleitos por um júri composto por especialistas de cada área e profissionais da redação QUEM. Escolhidos os finalistas, os leitores e internautas puderam votar pelo site.

Na categoria de Melhor Cantor, foi Dinho quem faturou o prêmio. \o/ Já na categoria de Melhor Banda, não deu para o Capital. Quem levou foram os garotos do Exaltasamba. Em entrevista, Dinho agradece pelo prêmio e diz que fica envaidecido de estar entre cantores como Ney Matogrosso, Seu Jorge, Zeca Pagodinho, Dijavan e Chico Buarque.

Obrigado a todos os fãs que participaram das votações e todos aqueles que não participaram, mas torceram para que o prêmio fosse nosso. Sem vocês, este prêmio não existira.

A lista completa dos ganhadores do prêmio, você vê aqui.

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Prêmio Quem 2011 – Melhores do Ano

07 novembro 2011

Final de ano se aproximando e as premiações para os destaques do país em 2011 também. O 5° Prêmio QUEM Acontece irá eleger os melhores do ano da música, cinema, literatura e gastronomia. O prêmio funciona assim: um grupo de especialistas nas áreas selecionou seis personalidades, entre elas, músicos, chefes de cozinha, escritores, atores e atrizes, e nos incluiu em duas categorias: Melhor Cantor, com Dinho Ouro Preto, e Melhor Banda.

A partir das próximas semanas, a votação estará aberta ao público no site da revista QUEM, para que os internautas escolham os vencedores das categorias. Fora isso, um comitê formado dentro da Editora Globo vai dedicar-se a uma categoria especial: o Grande Prêmio QUEM Acontece 2011, que vai homenagear o destaque do ano. Todos os vencedores serão tema de uma edição especial da revista.

Fiquem ligados nas novidades e comecem a votar agora mesmo no site!

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Livro do Dinho – Capítulo 2

14 fevereiro 2011

Para você que ansiosamente aguardou, segue a segunda parte do livro do Dinho:

Agora preciso fazer um pequeno flash back. Aguentem só esse pequeno suplício comigo, é curto, só um parágrafo. Hmmm, talvez um pouco mais. Eu sei que é obvio, mas preciso dizer o seguinte: rock sempre foi muito presente na minha vida. Eu sei vocês estão pensando “jura? É mesmo?” Sim, é mesmo e já aviso: ao longo dessa narrativa, vocês vão ouvir isso zilhões de vezes. Então não pensem “mas esse cara já não disse isso”?

Aos onze anos eu conheci o Dado, Bi, Pedro, Hermano e Herbert. Era a turma da 104. Em Brasília é tudo assim, com números, parece coisa de Admirável Mundo Novo. Na época, 1976, o que tava rolando era Led Zeppelin, que tinha acabado de lançar o Presence. Era incrível o que rock estava virando. Algo cada vez maior, cada vez mais distante dos garotos que compravam os discos. Não que nos importássemos muito, pelo contrário, ficávamos embasbacados pela aura de semideuses que aos poucos eles iam adquirindo.

Energia, autenticidade, sinceridade, simplicidade não eram valores que associávamos ao rock. Os reis da cocada preta no momento eram Yes, Genesis, Emerson, Lake and Palmer e etc. O povo do chamado som progressivo era, na verdade, um galho meio retorcido na árvore genealógica do rock. Os caras tinham saído de conservatórios. Aliás, havia ali uma certa contradição, progressivo e conservador ao mesmo tempo. Enfim, eu percebia que eles eram instrumentistas geniais, mas preferia coisas mais nervosas como AC/DC e Black Sabbath. Eu estava completamente tomado pelas bandas. Nada mais me interessava. Era só aquilo. Até minha mãe sabia de cor as letras de algumas músicas de tanto que ouvia de novo e de novo o mesmo disco. E enquanto eu olhava sempre para o mesmo lugar, para os mesmos discos, para as mesmas bandas, não tomei conhecimento da tempestade que se aproximava ali ao meu lado. Bastava um pouco mais de atenção e eu teria visto que os pioneiros da nova era já estavam pondo as manguinhas de fora.

Esse pequeno intervalo serve para mostrar onde estava minha cabeça e a dos meus amigos mais próximos nos primeiros anos da década de 80. Ainda estávamos muito ligados ao som que em pouco tempo seria um anacronismo insuportável.

Mas essa não é a história da minha vida. Ou melhor, não é só da minha vida. É a história de uma época e de várias vidas que, de algum modo estranho, acabaram se cruzando e se misturando pelas décadas seguintes. Além do que, uma autobiografia a essa altura, seria muito pretensioso, então de volta aos acontecimentos. Lá estávamos eu e meus amigos Dado e Pedro sentados embaixo do bloco sem ter o que fazer. A essa altura eles já tinham sido informados da cena que eu presenciara na lanchonete. Estávamos quebrando a cabeça pra bolar um plano para fazermos contato com a outra tribo de roqueiros do pedaço. Tudo bem que eles fizessem um som meio estranho, o que importava mesmo é que era rock. Por uma causa comum e nobre qualquer sacrifício valia a pena. Sobretudo porque o lado de lá parecia se divertir bem mais do que nós.

Não conhecíamos nenhum deles, não saibamos onde moravam, não sabíamos sequer o nome de suas bandas. Em resumo, não sabíamos de nada. Mas numa cidade como Brasília, um dia fatalmente nos encontraríamos. Enquanto isso a vida continuava. Uma existência chata, longa e repetitiva que se resumia basicamente em matar aula, fumar maconha e ouvir discos. A vida em casa não andava bem para nenhum de nós, por isso passávamos o dia inteiro na rua. A tensão doméstica era causada pelos motivos de sempre: crise na escola e pais na iminência do divórcio. Não que a separação em si fosse um problema, tínhamos crescido no final do século e quase todos os nossos amigos tinham pais separados. Tudo bem. O problema é que os meses ou anos anteriores a um divorcio tendem a ser turbulentos. A separação em si tende a vir com certo alivio.

A escola já era outra história, mais complicada e sem solução a vista. Que diabos iríamos fazer das nossas vidas? Àquela altura não tínhamos a mais remota idéia. Sempre invejei pessoas que desde cedo tinham uma vocação clara. Já pensou como a vida de Mozart, por exemplo, tinha sido fácil? Aos cinco anos já tocava pra reis. Assim é mole. Tá bom, tá bom, eu sei, não foi simples assim. O cara foi massacrado pelo pai e acabou sendo enterrado numa vala comum. Mas ao menos ele sabia o que fazer enquanto estava vivo. Desde pequeno. Nós, no entanto, passamos por horas e horas, dias e dias intermináveis, com a certeza absoluta de que a catástrofe nos esperava logo ali atrás da esquina. Ao menos era isso que nos diziam na escola e em casa. Afinal, era obvio que estávamos longe de sermos gênios e também não parecíamos ter uma aptidão especial para nada. A nossa auto-estima não andava muito em alta, mas curiosamente também não nos achávamos burros. A esperança estava nas biografias, muito populares nas ultimas fileiras da sala de aula, de pessoas que tinham sido um desastre na escola, mas depois se recuperaram. Nada demais. Gente como Einstein, por exemplo. Ora, se ele conseguiu, porque não um de nós? Nunca se sabe, sempre há esperança. Bastava acreditar em milagres.

Dado, Pedro e eu passávamos nosso tempo na 104 andando de skate, jogando bola e, claro, experimentando drogas. Aos poucos íamos provando um pouco de tudo. Além de maconha, descobrimos benzina, cola, e cogumelos. Qualquer coisa que caísse nas nossas mãos e produzisse algum efeito era bem-vinda. Dano cerebral? Yeah! Ilegal e proibido? Melhor ainda. Ficar lesado? Ótimo. De um modo geral podia se dizer que estávamos caminhando para um precipício. Nada de bom sairia daquilo, mas nós, mesmo nos dando conta perfeitamente, jamais admitiríamos. E dito e feito: esses excessos nos cobraram um preço caro mais tarde. Nossos fígados, rins, cérebros e afins…

Havia um gramado do lado da Superquadra, logo em frente ao terreno baldio entre a 105 e a 104, onde ficávamos deitados a noite, jogando conversa fora. As pessoas passavam apressadas por ali porque apesar de mal iluminado era o único acesso ao ponto de ônibus, um pouco abaixo no eixão. Esses nomes e números só fazem sentido pra quem morou em Brasília. Então vocês tem duas opções. Ou vão conhecer a capital de vocês, ou estudem a obra de Oscar Niemeyer e Lucio Costa. Não tem jeito. É isso mesmo, é incompreensível.

À noite, aquele não era um lugar para lazer. Por isso, logo nos chamou a atenção, vindo de longe, as gargalhadas de duas meninas, despreocupadamente passeando de bicicleta. Podíamos ouvi-las antes de vê-las, tamanho era o volume. Quando finalmente seus vultos se aproximaram o suficiente do facho de luz do único poste do pedaço, vimos, para nosso espanto, que elas estavam vestidas para matar. Alfinetes , buttons, cabelos coloridos e tudo mais. Elas eram como os caras que estávamos procurando. Voilà! Sem mais nem menos elas tinham caído do céu. Ali estavam elas, todas vestidas e montadas e nada para fazer além de andar de bicicleta…

Como se fosse a coisa mais normal do mundo, elas pararam e se apresentaram. Eram a Ana e Cris. A Cris eu reconheci assim que me aproximei – era a cantora maluca que eu tinha visto na lanchonete alguns dias antes. Eu logo achei a Ana mais bonita. Era uma beleza fora do comum. Ela era nariguda e muito magra. Parecia saída de um filme do Almodovar. Maravilhosa. Começamos a nos cutucar, “vai cara, diga alguma coisa inteligente. Eu não, vai você”, sussurrávamos um para o outro. Então, depois de um pouco de papo furado e um pouco de desconforto adolescente, a conversa naturalmente começou a enveredar para a música. Elas não esconderam seu desprezo pelo nosso gosto e falaram de grupos que não conhecíamos ou dos quais só tínhamos ouvido falar vagamente. Coisas tipo Slits, Siouxsie and the Banshees e Joy Division. Apesar de humilhante, afinal eram duas garotas nos dando uma aula de rock, ouvíamos de boca aberta.

Todo o episódio não deve ter durado mais do que alguns minutos. Mas quando estavam indo embora, a Ana se virou e nos convidou para um show que ia rolar no fim de semana num lugar com o nome bizarro, Kafofo. O nome das bandas? Aborto Elétrico e Blitz 64. Bingo!
Pois é, a vida é assim, cheia de coisas inesperadas. O contato estava feito.

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Dinho convida para o Verão no Morro

02 fevereiro 2011

No próximo dia 25 de fevereiro, o Capital está de volta ao Rio, para um grande festival o “Verão no Morro” – No morro da Urca.
Capital fecha co chave de ouro o último dia do festival. Para mais informações visite o site

Confira abaixo o convite do Dinho:

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2010 e o Futuro por Dinho Ouro Preto

30 dezembro 2010

Ok, vamos lá, como fazer o balanço de um ano? Como faço? Começo cronologicamente, tipo , em janeiro aconteceu isso, em março aquilo, ou vou só descrevendo os pontos altos e baixos? Como não há escapatória eu tenho que começar pelo pior momento da minha vida. Eu, sinceramente, já cansei de falar do meu acidente. No entanto acho que ele vai fazer parte da vida pra sempre. Fisicamente, estou recuperado, mas ainda sinto ansiedade e tenho insônia. Uma médica me disse que isso é stress pós traumático. Era só o que me faltava. Eu já só sou hipocondríaco, e já era antes disso tudo, mas agora tenho mais um problema. Minha família também passou por maus bocados. Meus amigos também. E os fãs do Capital não cansam de me dizer o quanto estão contentes por eu não ter morrido. O que é um pouco mórbido. Pronto, blza, chega desse assunto, bola pra frente, eu sempre me interessei mais pelo futuro. Sério. Eu sou uma das poucas pessoas, ao menos entre as que eu conheço, que não voltaria ao passado se pudesse. Acho que hoje sou mais feliz do que era quando era garoto. Passei muitos anos, principalmente no começo do Capital, sentindo muita angústia. Não sei porque. Talvez eu tenha reagido à repentina exposição achando que não estava à altura das expectativas do público. Provavelmente, porque meus companheiros de geração eram o Cazuza, o Renato o Arnaldo Antunes. É de deixar qualquer um intimidado. Enfim, hoje não, agora me sinto em paz. Não que eu tenha feito tudo, e me dê por satisfeito, ainda tenho muita vontade de compor, escrever e dar shows, mas sinto serenidade.
Aliás, por falar nisso, eu e o Alvin já começamos a preparar as músicas novas. E já que eu contei isso pra vcs, eu tô pensando em talvez lançar as músicas novas aos poucos; na medida que elas forem ficando prontas. Mais ou menos como eram os singles do Stones ou dos Beatles nos anos sessenta. Isso existiu durante anos. O Never Mind the Bollocks dos Sex Pistols também foi lançado aos poucos. Agora, com o mundo digital, acho que as pessoas não tem paciência em esperar dois anos por um disco. Não sei, tô pensando no assunto, ainda não tenho certeza. Afinal o lançamento de um disco, a capa, a espera, o conjunto das canções e até a ordem em que elas estão colocadas, fazem parte do que eu considero algo quase mágico. Mas eu suspeito que eu estou pensando de um modo atrasado. Vamos ver. O que vcs acham?
Só pra vcs verem o quanto eu sou enrolado, eu já disse tudo isso sem falar do ano que passou. Então vamos lá. Então, pulando o assunto acidente, do qual só me recuperei no segundo semestre, aconteceram várias coisas em 2010. Lançamos o Das Kapital. Trocamos o modo de sermos agenciados. Procuramos trabalhar com outros artistas para fazer nossas fotos, nossas capas, e nossos cenários. Era como se o Capital tivesse decidido aparecer com outra cara, mas sem perder a identidade.
Em relação ao disco, nós o fizemos com outro produtor, um cara chamado David Corcos. Na minha opinião, um pouco maluco, como todas pessoas muito talentosas. Esse disco, é especial. Nos o ensaiamos durante meses, e demos ao David o poder de um ditador. O cara se meteu em tudo, da escolha das músicas, às letras, às guitarras e até as levadas de bateria. E o resultado foi o que vcs viram, o disco mais elogiado da nossa carreira. Eu, de modo muito oportunista, dessa vez concordo com os críticos. É o melhor disco que já fizemos. Tá bom, eu sei, todos os artistas dizem a mesma coisas sobre seus trabalhos mais recentes, mas eu honestamente acho que o Das Kapital se destaca de tudo que nós já fizemos.
Dito isso, a opinião que mais nos interessa é a dos fãs. Não que façamos discos dirigidos, pensando em vcs. Pensamos só em música. Esperem, calma, não é pouco caso, é porque acho a integridade artística fundamental pra qualidade de uma obra. Sempre fiz, errando ou acertando, o que eu quis. Não consigo saber o que as pessoas esperam de nós. Então uso de parâmetro, só o meu gosto. Na minha cabeça funciona assim: componho, escrevo, ensaiamos e gravamos, e depois cruzamos os dedos e torcemos para tudo dar certo. E dar certo é os fãs gostarem. Mas se além disso, os críticos também gostarem, bingo!
A turnê de verdade, só começou no segundo semestre. Acho que fizemos uns sessenta shows, todos maravilhosos. Fomos mais uma vez ao país inteiro, mas como tudo começou tarde, ainda faremos shows desse disco em 2011. No entanto se tudo der certo, ainda gravaremos o disco novo esse ano. E se depender de mim, mais uma vez com o David. Eu já disse que o cara e um gêniozinho?
Outra novidade é que logo depois do natal, eu comecei a tuitar. Eu reconheço que demorei a ceder. Eu tinha medo de duas coisas: Primeiro, que viesse a ser uma invasão da minha privacidade. E segundo que viesse a se tornar um vício. Eu me conheço, sou maníaco compulsivo obsessivo, então me aguardem. Meu começo foi um tanto atrapalhado, as letras do meu telefone são microscópicas, e fico batendo nas letras ao lado. Além disso, tenho vontade de dizer coisas mais interessantes do que “agora estou no supermercado comprando peixe.” Também não aprendi todas as abreviações e também não sei mandar fotos. Como vcs podem ver, eu vivia nas trevas cibernéticas até ontem. Mas eu vou pegar a manha, e aí vou encher o saco de vcs.
Outra coisa que eu pensei em fazer em 2011 é terminar o livro que eu comecei escrever há anos atrás. Eu sou meio caótico, então preciso botar um pouco de determinação nesse projeto. A idéia que eu tive, foi a seguinte: ir publicando capítulo por capítulo no nosso site. Assim, eu seria obrigado a continuar escrevendo. Que tal? Boa idéia?
E violá, assim foi o ano. Em alguns momentos difícil, em outros maravilhoso. Ok, isso nao foi muito inspirado, a vida de todos é assim. Mas a nossa vida é mais parecida com a de todos do muita gente imagina.
Eu quero agradecer a todos que leram o que escrevi durante o ano, todos que ouviram nosso disco, todos que votaram em nós nas diferentes premiações e todos que foram aos shows e todos que nos ofereceram generosidade e entusiasmo. Vcs são ótimos.
Feliz ano novo. Que todos possamos ter um ano melhor ainda em 2011. E desejo a todos que tiveram o saco de ler até aqui os quatro “ésses” : saúde, sorte, sucesso e sexo. Não necessariamente nesse ordem. É isso, nos aguardem, porque essa história continua….
Obrigado por tudo e boas vibrações, Dinho.

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